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O Berçário

Hoje, ao observar o que eu já quis tão distante, percebi que apesar da pouca idade me permiti ficar velha. A gente sabe que está velho quando deixa nossos sonhos perderem a juventude, quando nossos desejos criam rugas e preferimos abandoná-los num asilo de planos moribundos. Há sonhos que morrem ali, sentados numa cadeira de balanço, esperando a visita da esperança que nunca vem e quando finalmente ela resolve aparecer, já é tarde demais.
Restam imagens, doloridas imagens do que nunca se viveu e o aperto no peito de ver ali, estampado, algo tão bom que deixou de ser experimentado por culpa da preguiça de levantar o traseiro do sofá, ou, quem sabe, também é culpa do medo de encarar uma estrada nova, de sair do conforto.
Mas como tudo é ciclo, depois do luto vem o alívio de saber que não existe só morte, existe também o nascimento. E é ao descobrir a gestação de novos sonhos que a vida continua, renasce a alma e a desesperança converte-se em fôlego. 

Por Amanda Magnino
14/10/2013, 22:15.

Com açúcar, sem afeto. - A realidade nada doce de homens que não gostam de mulher.


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Hoje foi daqueles normais em que cheguei no trabalho e tomei um café. Com uma diferença: sem açúcar.
Sou mulher e como todas possuo uma preocupação quase genética com a balança. Nada paranoico, só aquele papo dos “menos 3kg”. E sim, sou uma vítima da beleza, mesmo que de leve. Nada exagerado, mas constantemente penso que gostaria de ter uma gordurinha a menos aqui ou ali, mesmo tendo um companheiro que gosta de mim do jeito que sou. Mas como fica essa questão nos relacionamentos de hoje?

Percebi que por esses dias correu na internet uma matéria sobre as atrizes e modelos de Hollywood sem Photoshop, e paralelamente, outra matéria com atrizes pornôs sem maquiagem. Na maioria das descrições dos compartilhamentos das matérias nas redes sociais, quando feitas por homens, estavam escritos coisas como “acabou com meu sonho”, “minha vida acabou”, dentre outros comentários fúnebres, devido à um simples choque de realidade, misturado com a dor de sair de um conto de fadas.
Percebi que pior do que as paranoias femininas com a balança, estão as paranoias de semi-homens encantados com uma imagem falsa de mulheres irreais. E que uma coisa leva a outra.

A geração de homens iludidos, que veio em grande remessa nos dias atuais, acreditam piamente em contos de fadas, mais do que qualquer garotinha de 8 anos de escola particular. O louvor à imagem feminina perfeita faz com que a maioria dos homens se esqueça que aquelas garotas lindas que eles vêem na balada também acordam com rímel borrado, espinhas pela manhã e que tudo aquilo vai sair com água e demaquilante.

As companheiras, que estão ali todo dia, nos domingos e terças pós expediente, que são vistas sem maquiagem, acordando pela manhã com olheiras e fazendo coisas que todo mundo faz (inclusive a gatinha da balada), acabam sendo vistas como inferiores, pelos olhos de quem acredita em máscaras.

Uma vez escutei um amigo dizendo:
“Dormi com uma garota linda que peguei na balada e ela amanheceu com o cabelo todo torto e ela tava com uma espinha enorme na cara”.
Segurei pra não chamá-lo de burro por não conseguir aceitar o óbvio e me questionei seriamente sobre a sexualidade da pessoa. Afinal, aquilo é uma mulher, com hormônios, cútis, órgãos vitais e tudo mais. E se ele não gosta do que viu, é porque não gosta de mulher. No máximo, é um tarado por objetos que gosta mais de Barbie do que minha prima de 4 anos.
Me pergunto: quando que essa raça de semi-héteros vão aprender a gostar de mulher?
A cada dia que passa, tenho mais certeza de que os gays é que andam sabendo o valor de uma mulher de verdade e são mais macho que muitos que dizem ser pura testosterona.

Aquele papo clichê de que o que conta é a personalidade está sendo esquecido nos relacionamentos de plástico de hoje. Os homens estão passando a ignorar o cuidado que uma mulher tem por ele, a paciência, a consideração e o caráter por estarem iludidos com Barbies, maquiagem e Photoshop.

Ninguém aqui está fazendo um ode ao desleixo, pelo contrário, quero que cada um passe a ver a beleza de que quem está ao seu lado. Que aquela pessoa que dorme e acorda com você tem sua beleza e seu valor, seja lá qual for a forma que possui e ausência de artifícios dela.
Pense que essa pessoa tem uma vida além de fotos bem montadas e baladas de fim de semana e que no dia-a-dia dela, ela consegue um tempo pra fazer as unhas, comprar uma roupa nova, ir no dermatologista e ainda chegar a tempo de dar atenção pra você, que nem sempre merece. Pense que essa pessoa com muito esforço já passou por muitas dificuldades ao seu lado, conseguiu te conhecer, convive com seus defeitos e ainda passa um batom vez ou outra. Pense que naquela balada, quando ela estiver arrumadinha, nos olhos de outro, ela pode estar sendo o que seus olhos não estão conseguindo ver.

Antes de louvar aquela garota linda que está super montada em uma foto ou incrivelmente bem polida em uma festa, lembre-se que ela, assim como aquela que você convive, também tem dia-a-dia, defeitos, chatisses, luta contra celulite, tem TPM, pode acordar com cabelo torto e ainda por cima não te conhece, não te vê acordando todos os dias, não conhece suas manias, muito menos sabe lidar com seus defeitos. Aliás, você se lembra dos seus defeitos ou está perdendo muito tempo reparando nos defeitos do sexo oposto?
Já dizia da minha mãe: Só cobre de alguém aquilo que você pode dar.

Paralelo a isso, surge uma geração de mulheres paranoicas, que no medo de serem massacradas por essa geração de homens que não sabem gostar de mulher, acabam se matando em dietas e gastando fortunas com corretivo facial. E não adianta falar que mulher deve parar de se preocupar com isso, de fato, deveria, mas você, rapaz, dificilmente vai saber o que é nascer em meio a uma sociedade que te impõe isso, onde homens agridem mulheres por não estarem dentro de um padrão midiático, onde você corre o risco de ser ferida psicologicamente em público se estiver fora do peso, onde você foi criada e pressionada a cruzar as pernas e passar batom, onde as revistas e mídia mostram corpos perfeitos, onde há piadinhas machistas feitas por pessoas inseguras e onde você, homem, não consegue olhar pra sua mulher com afeto que ela merece, caso ela não retire o açúcar do café para alcançar o padrão que a sua imaginação pede.

Mulher, sei que é demais pedir que você se desvincule de uma hora pra outra de algo que lhe foi imposto a vida toda. Todas nós amamos nos cuidar, mas faça isso por você, porque a um homem de verdade vai saber te olhar com olhos de verdade. Pare de querer deixar de ser uma mulher real e passe a procurar um homem real.

Homem, se você realmente gosta de mulher, aprenda a gostar de mulher. Caso contrário, se prepare para um futuro de frustração. Afinal, você vai ter acordar desse mundo de fantasias um dia. A bonitinha vai perder a beleza uma hora ou vai se revelar uma tremenda chata. Mas aí, pode ser tarde demais. Convido você a tirar suas fraldas e vir para um mundo com pessoas reais. Aprenda amar com afeto, com ou sem açúcar.

Sexo e Mousse de Ervilha, por Stoya

"Meu namorado me levou a um restaurante italiano alguns dias atrás. A cozinha nos mandou uma mousse de ervilha. Quando o garçom saiu, eu silenciosamente disse que achei a textura nojenta. Ele disse algo sobre aquilo ser desconstruído e, portanto, muito chique. Comida desconstruída é o motivo pelo qual a parte mais empolgante de um jantar chique é se arrumar para sair. Acho que ervilhas têm um gosto ótimo, então não entendo por que alguém ia querer fazer isso ser mais complicado do que o necessário, só para chegar num prato inferior com sabor de ervilha. O mesmo vale para sexo desconstruído. Você pode pegar as partes separadas, mas o total orgânico é quase sempre melhor. E foda-se a mousse de ervilha."

- Stoya


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Um desabafo de Segunda Feira pela manhã.



Segunda feira pela manhã não é um bom dia para falar sobre arrependimentos, muito menos sobre escolhas, ainda mais quando não se está em uma fase ruim da vida, nem de TPM, nem necessariamente triste. Segunda feira pra mim não é um dia bom pra falar de nada. Enfim.

Eu tenho ficado com mais dores nas costas do que uma pessoa de 23 anos costuma ficar, mas desisti de procurar médicos quando percebi que tudo isso não passa de um simbolismo que só vai se resolver quando eu parar de carregar pesos que não são pra mim.

Uma vez minha mãe me disse que eu era diferente, que eu nasci pra ter “espírito livre”, que eu jamais me apegaria às coisas com tanta facilidade e que algumas imposições não soariam tão normais aos meus ouvidos. De fato, tudo isso é verdade, mas eu deveria ter meus 12 anos, minha maior preocupação era meu boletim, eu só sabia que eu era uma criança com um diagnóstico de TDAH, com poucos amigos, que desenhava demais e não gostava do que a maioria amava. Também sabia que enquanto o desejo das minhas amigas era comprar roupas e arrumar um príncipe de olhos azuis e cabelo loiros aparados, eu queria um príncipe com cara de mendigo que me levaria pra conhecer o mundo, só isso.


Voltando aos dias de hoje, abortei a “missão príncipe” quando percebi que tudo que eu teria de conquistar na minha vida seria sozinha. Que a Cinderella era um sonho, mas que o conto de fadas que eu mais me aproximaria, no máximo, seria a Bela e a Fera, e isso sonhando alto. Quando você arruma seu primeiro emprego aos 17 e termina seu primeiro namoro, suas carruagens se tornam abóboras e tudo o que te resta é recolher seus sapatinhos de cristal e colocar tênis porque a jornada ali vai ser longa, principalmente quando não há nenhum patrocínio paternal. Mas devo confessar que queria ter ido pra Disney aos 15, feito intercâmbio no colegial ou ter desses parentes que moram em Londres. Mas não tive nada disso, nem a boneca das Spice Girls, nem a boneca da Sailor Moon, nem um Tamagochi. Durante minha infância minha mãe tinha acabado de “virar crente” então ela achava tudo isso coisa do diabo, mas isso não vem ao caso. Minha mãe foi fritada durante a vida toda, não foi um período curto de fanatismo religioso que azedou o doce, até porque apesar de tudo, sempre amei ir à igreja, aquilo me ajudou a sonhar e a projetar esperanças, mas diferente de muitos “igrejeiros”, sempre planejei quase tudo dentro de uma realidade. Acho que não ter pai e ter uma mãe um pouco fora dos eixos te ajuda ser mais pé no chão. E ser rica e de repente não ser mais, também.

Dentro dos meus sonhos estava ir à África em uma missão diferente dessas filantrópicas. Sempre quis ir conversar com as pessoas,  penso que o que falta pra todo mundo é um pouco de conversa e desabafo pra encarar a realidade, e isso é melhor do que qualquer doação com prazo de validade determinado. Sempre acreditei mais em doar amor. Também sonhava em ir pra uns hotéis diferentes pelo mundo e ter um par pra mergulhar nas praias mais desertas e bonitas do Brasil. Também sou louca pelas comidas gordurosas dos Estados Unidos e por todos aqueles parques temáticos que turista brega adora.
Essa sempre foi minha resposta quando me perguntavam qual o meu maior sonho: “Eu quero conhecer o mundo. Se der, com alguém que eu amo ao lado.”

E cá estou eu, atrasada, sem ter nem começado a correr atrás disso tudo e com medo dos anos que estão se passando. Há 2 meses abri a “Poupança Mundão” no banco, entram nela valores ridículos mensalmente, mas pelo menos é algum ponto de partida ou de coragem. Sempre fui muito enrolada com meus projetos e a maioria deles está engavetado. Fruto do meu DDA, da minha descrença, falta de grana ou de qualquer outra coisa. Me arrependo de muita coisa, mas de muita mesmo. E acho cafona quem diz que “só se arrepende do que não fez”, pra mim isso é desculpa de gente que não consegue evoluir e que não dá conta de se assumir nem mesmo pro próprio espelho. Arrependimento é bonito, mas a constância dele é trágica. É coisa pra se ter vez ou outra, de preferência em áreas distintas, pra aprender mesmo e não cair no mesmo buraco, afinal, como a gente aprende se não vê erro nos atos passados?

Hoje eu me sinto com mais de 30 anos, cansada, mas com pontas de esperança reacendendo. Andei muito em chão de barro pra ficar nessa “vida Pollyana” que a maioria das meninas da minha idade vive, não consigo! Tracei algumas metas e quem sabe dá tudo certo. Acho que tomei essas decisões de sair do lugar depois que vi oportunidades de ouro passando pela minha frente e mandando beijo enquanto eu estava estagnada na minha própria descrença, conformismo e comodismo. Não me frustraria se eu não conseguisse completar tudo aquilo que sonhei, mas quero ao menos pensar que tentei e acumular um pouco mais de histórias em Uberlândia ou na Califórnia. Tanto faz.

Hoje continuo com TDAH, poucos amigos, desenhando (escondida), sem ter saído do Brasil e sem a boneca da Sailor Moon, mas já procurei pra comprar no eBay. Quanto aos príncipes, percebi que a gente transforma qualquer um em realeza se a gente tiver amor.  E continuo querendo conhecer o mundo com alguém que eu amo ao lado. Mesmo que essa pessoa seja eu.


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Aí você percebe que a idade te ofusca. Em passos lentos e nem sempre calmos, a afobação da imagem aos poucos perde a graça e a percepção da beleza toma formas mais amenas. Não há mais tanto o que provar pra alguém. Se você quiser por enfeites é porque quis, a imagem deixa a obrigatoriedade e dá lugar ao prazer não-obrigatório. Quanto mais doce fica a fruta, menos a gente precisa inventar formas de saboreá-la. Basta redescobrir cada tom do sabor com o passar dos dias repletos dores nas costas.

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